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Ensaios

Anamnese e hipomnese: Platão, primeiro pensador do proletariado

Além de uma genealogia dos termos «anamnese» (enquanto produção mnésica individual) e «hipomnese» (retenção mnésica colectiva) que atravessa a história do pensamento ocidental e as diferentes áreas do saber — de Platão a Deleuze, passando por Marx, Freud, Foucault, Derrida, mas também Gilbert Simondon, Leroi-Gourhan ou Claude Bernard — Bernard Stiegler estabelece as premissas para a compreensão de um novo género de memória, fruto da amplificação e replicação serial dos dispositivos tecnológicos de memória (computadores pessoais cada vez mais ergonómicos e portáteis, aparelhos nómadas e sistemas de mapeamento imagético do mundo) que, numa dialéctica em devir, convergem para uma desindividuação tanto singular quanto colectiva, para uma desautorização e impotência desencadeadas por uma nova gramática da memória. Simultaneamente, este novo tipo de memória oriunda da contemporaneidade tecnológica e em trânsito entre a hipomnese e anamnese parece apontar também para um projecto de transindividuação filosófica: qual janela digital conectada ao rizoma da retenção colectiva para a contaminação dos mecanismos mnemotecnológicos de controlo por via de uma individuação singular.

A Memória Arquival e a Memória Figural

O nosso objectivo é o de apresentar uma semioticização da memória. Trata-se de estudar as marcas culturais em algumas das suas manifestações, mas abrindo um parêntesis sobre a memória do figural, dado que uma obra de arte possui a sua memória figural. Para tal, discute-se a estética lessingiana das artes do espaço e das artes do tempo, para reinstaurar o tempo nas artes plásticas. Como semioticizar o invisível, como tratar esse tempo invisível, essa «memória plástica»? Eis a questão à qual esta lição tentará responder.

Escrita, Memória, Arquivo

Cruzar estes três conceitos é partir de um subentendido que será preciso explicitar. A ligação da escrita à memória e desta ao arquivo baseia-se numa perspectiva primeira, a da relação entre orgânico e inorgânico. Por outro lado, a relação da memória à escrita tem sido por demais tratada na dimensão de interioridade/exterioridade que estes termos, só por si, permitem. O arquivo, entendido aqui como conjunto ou depósito de escrita e dos escritos, é também um legado, no sentido em que tem nele compilado o que extravasa a memória singular, a memória do vivido individual. As sociedades de escrita fabricam, todas elas, um arquivo como herança, na medida em que passa a ser património colectivo.

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